Nosso lar

Ontem saí com minha amiga Helô, que mora na California. Ela queria ver o filme “Nosso lar” no cinema, algo ligeiramente diferente dos meus planos de um café colonial, mas tudo bem. Como ela só aparece por aqui uma vez por ano e é uma amigona, eu encarei a programação.

Quando cheguei lá, pensei que na pior da hipóteses eu iria saborear aquela pipoquinha nada light que eles vendem. Estava feliz e empolgada na fila para pegar minha guloseima quando minha irmã diz: “Anda logo, que do jeito que estamos atrasadas o espírito já deve ter reencarnado”. Então tratei de correr para a sala antes que a trama tomasse rumos cruciais.

No final das contas me surpreendi com o filme, apesar de achar que deveria ter lido o livro antes. Os livros são sempre melhores. Na minha ignorância, achava que o filme seria só aquela coisa de fantasma e etc..contudo foi bem diferente. Me fez pensar em tantas coisas. Refleti que o que temos hoje nas nossas vidas é um presente, por isso chama-se assim, não é mesmo? Todavia há tantos planos espirituais que não temos noção…nem sequer imaginamos.

No final do filme, eu já estava toda emocionada ali no meu cantinho e quando as luzes se acendem minha irmã diz quebrando totalmente o clima: “Orra! Olha a quantidade de gente que não tem mais o que fazer na vida?! Plena segunda feira e a galera aqui curtindo um cinema no shopping. Ninguém trabalha, não?” :)  Ai, eu ri muito!! Como se nós não estivéssemos ali também!

Ma enfim, o filme passa uma mensagem bonita de respeito, aceitação, amor e redenção. Minha religião é outra, mas admito que fiquei intrigada. Só que fiquei impressionada e não consegui dormir direito à noite. Tola, né? Eu sei.

Anúncios

O leite derramado

Blá, blá, blá, não se pode chorar em cima do leite derramado. Quem disse? Pois eu choro. Eu, hein?

Lembrei dessa frase porque minha filha chegou em casa com um livrinho que alugou na biblioteca do colégio. Como sempre, pediu-me para ler a historinha antes de dormir e eu fui lendo…Contava sobre uma menina que carregava um litro de leite e que fazia planos de trocar aquele leite por uma galinha, depois vender os ovos da galinha, depois fazer dinheiro, etc e tal. Uma empreendedora a personagem. Impressionante. O fim da história todo mundo conhece: a guria se empolga, sai saltitando, tropeça e acaba derramando o vidro de leite que carregava na cabeça.

Entenderam a mensagem? Sim, é preciso ter foco. É preciso cuidar do que se tem. Muitas vezes é preciso fazer uma coisa de cada vez para que se obtenha êxito. Foi exatamente isso o que eu expliquei à minha filha, pois a frase final do livro eu fiz questão de não ler. Era a seguinte: “Viram? Por causa de seus sonhos, a menina perdeu a única coisa que tinha.” Como assim? Se eu falo uma coisa dessas para Rafaella, é capaz de ela achar que sonhar é ruim!

E às vezes acontece sim de chorarmos em cima do leite derramado. Depois, aprendemos com os erros e seguimos em frente, mas nunca, nunca, nunca sem deixar de sonhar novamente.

Ossos (travados) do ofício

Rafaella tira de letra ser filha única. Tem mil amiguinhas, vive em festinhas do pijama, tardes com os primos, chamegos com avós, tias e dindos. Porém, quando está sem nada disso, determina que eu e meu marido sejamos seus coleguinhas. Explico: há momentos em que ela não nos quer como pais, que mandam arrumar o quarto, estudar para a prova de matemática e escovar os dentes. Ela nos quer simplesmente como companheirinhos de 7 anos de idade.

Hoje ficou o tempo inteiro nos cantando para brincarmos de um joguinho chamado Twister. Então, lá pelas tantas, concordamos. Ela ficou eufórica, esticou no chão da sala um tapetão e explicou como se jogava. (Pausa para eu suspirar de alívio por já ter acabado). Para se ter uma idéia, na caixa dizia “O jogo que vai te virar pelo avesso”. Nunca me senti tão velha!

A espertinha da Rafaella mandava na roleta. Sádica que só ela, ficava dando ordens: “Pé  esquerdo no verde! Mão direita no azul!” Tudo o que meu marido tinha de sorte, eu tinha de azar, naturalmente. Só me ralava! E os dois a rir de mim. Comecei o jogo tão bonitinha, de vestidinho, cabelo penteado, e no fim já estava parecendo uma lula depressiva. O pior de tudo é que minha filha, a cada girada na roleta, fazia longos comentários inúteis alla Galvão (e nós ali a morrer de dor!) . Até o Gu já estava no limite: “Rafaella, sua mala! Comenta menos e gira mais essa roleta!” Sorte (?) que deu uma câimbra no pé dele e eu ganhei!

O resultado disso? Pai mancando de um lado, mãe travada do outro e uma filhinha única muito feliz!

A incansável busca

Outro dia o Marcelo Adnet perguntou em seu programa na MTV: “Não chega uma hora em que vocês ficam parados em frente à tela do Google sem saber mais o que procurar?” Me identifiquei com essa situação. Vi-me atônita diante de tamanha verdade.

Mas a culpa, naturalmente, não é da internet. Quando era criança, devorava todas as enciclopédias que via e por isto descobri que existiam os transatlânticos (a manezinha aqui só conhecia aquele barquinho de pescador que levava à ilha de Anhatomirim). E, convenhamos, após tamanha descoberta, fui querendo sempre mais. Surpreendi-me ao saber que gnomos não existiam e também que quando eu ficava meio descabelada, adquiria a aparência de uma giárdia. Mas lembro que meu castelinho de areia se desfez mesmo quando, folheando uma Barsa, descobri que o coração humano não era tão lindinho, rosinha e fofo, como imaginara por toda a vida.

Lembranças pueris à parte, gostaria de dizer que algumas vezes é preciso frear tanta busca e viver de fato a vida. Hoje pela manhã, por exemplo, estava maravilhada com as facilidades da Web. Precisava preparar uma salada e vi uns 3 vídeos diferentes no youtube sobre como fazer salpicão. Adorei! Analisei as 3 receitas, anotei os ingredientes, fiz comparações, toda feliz. Depois me estressei, peguei o carro e fui comprar um salpicão pronto.

Vestindo Rivello

Ai, que felicidade! Meu bloguin finalmente está vestindo Rivello!!! Depois de infernizar a vida de minha irmã por alguns meses, eis que esse novo visual saiu do forno.
Ainda há muitas coisinhas para ajustar, mas eu não estou nem aí. É como quando eu compro uma calça jeans e não quero emagrecer aqueles quilinhos para que ela fique melhor, quero usá-la e ser feliz!
Espero que vocês tenham gostado da mudança.

*E obrigada, Carol! You’re the best designer ever! Te alugo, mas te amo de montão!!

O lanchinho do colégio

Aonde vocês estudaram tinha cantina? Pois é, no meu colégio também. Era uma alegria quando podia me dar ao luxo de comprar lanchinho do bar. Além disso, naquela época tudo era permitido: coxinha, sonho, refri e demais delícias, todas proibidas por lei atualmente. Como mãe, concordo com a lei, apesar de sentir falta das guloseimas que a D. Augusta preparava quando eu era criança.

E este ano resolvi criar uma continha no bar do colégio para minha filha, que ficou toda feliz, se achando a garotinha independente. Confiei em seu bom senso porque é uma menina responsável. A primeira conta veio cento e poucos reais. Não levei um susto, mas achei que poderia ser menos, já que só pegava lanche 1 ou no máx. 2 vezes na semana. Cogitei que talvez estivesse gastando com besteiras como kinder ovo e afins e expliquei que não gastasse tudo de uma só vez (lembrei de sua priminha, que pagou rodada de pãozinho de queijo à todos os coleguinhas).

Um dia, conversando com outras mães, veio à tona esse assunto. Eu estava prestes a relatar a historinha da conta de Rafaella…e de repente ouvi: “Nossa! Vcs receberam a conta do bar? A da minha filha deu 360 reais!”, “Nossa, a do meu filho não chegou à isso, foi só uns 280”. Minha boquinha foi fechando, fechando, fechando e fechada ficou! Meu marido ainda tirou sarro de mim: “Amor, ainda bem que não reclamaste dos 100 reais da Rafa, senão iam te achar uma morta de fome!”  :)

Depois fui descobrir que o vilão de tudo era mesmo o tal do Kinder Ovo (com seus brinquedinhos que eu não tenho saco de montar). Agora ela manera, até porque leu um livrinho que dizia que quem come chocolate todo dia fica com pereba!! Adorei!! Aposto que foi uma mãe que escreveu.

Bem, minha filha trabalhou o desapego do Kinder e já posso deixá-la livre que não chegam contas estratosféricas, porém ela não sabe o que fazer com essa liberdade. Já me disse que comeu de tudo na cantina, mas que gosta mesmo é do lanchinho que eu faço. Me derreto! Realmente preparo com amor e coloco tudo dentro de um potinho em forma de morango. Acho que se as crianças são mesmo mais sensitivas, ela deve sentir esse carinho. Às vezes, até mando um pouquinho a mais porque alguma coleguinha pede alguma coisa. Pode?

Vai um Dostoiévsky aí?

A revista “Vida simples” deste mês traz uma matéria muito interessante sobre por que ler os clássicos. Gostei bastante do texto porque consegue de uma forma clara desmistificar aquela história de que só os eruditos podem aproximar-se de um Shakespeare, um Dante ou um Proust. Como bem ilustra a matéria, estas obras, hoje clássicos, foram escritas por seus autores para serem lidas e não temidas.

Eu acho que o importante é começar. Depois que se descobre que não só de auto-ajuda vive o leitor, conhece-se outro mundo! Não briguem comigo, sei da importância da auto-ajuda, mas por pouco não protagonizo “um dia de fúria” quando entro nas livrarias e deparo-me SEMPRE com aquelas montanhas de livros de auto-ajuda, como se não existisse mais nada além disso!! Fecho os olhos por um instante e visualizo que maravilha se pudesse chutar tudo como fazem os estudantes de cálculo nos cursos de engenharia. Pois é, Stella controla seu instinto porque é civilizada, mas nunca consegue deixar de imaginar esta cômica cena, quase um prêmio de consolação.

Mas voltando às obras clássicas, gostaria de dizer que estou tomando coragem para ler os clássicos russos. Como em italiano sempre li em língua original, tenho o maior medo de pegar uma tradução ruim dos russos ou alemães, mas tenho que relaxar, senão não leio mais nada! Lembro que no meu mestrado era normal lermos muitos livros de uma só vez, analisar, falar sobre eles em seminários (junto com os alunos do doutorado #medo) e ainda elaborar artigos. Ok, a Pós faz as pessoas surtarem, mas também as prepara para qualquer coisa! Sou infinitamente grata.

Mas leitor, não se preocupe, pois ler um clássico é mais simples do que parece. O primeiro passo é ter vontade e tranquilidade. Quando se evita a literatura canônica, perde-se o que de mais agradável ela tem a oferecer. Como diz o texto de Bruno Moreschi “Quem teme ou apenas usa os livros clássicos como grife intelectual tenta se proteger. Ao evitar suas páginas, ficam livres de uma experiência que quase sempre questiona nossas certezas e sugere um mundo mais complexo. Trata-se de uma proteção mais revestida do mais ignorante dos medos: aquele alimentado por idéias ditas pelos outros, não por uma experiência individual de leitura”.

Máscaras de Veneza

Carissimi,

Hoje vou postar um evento bem interessante que o CIB está promovendo: um curso de máscaras venezianas. Quem se interessa por arte e afins vai adorar. Ano passado era possível fazer a máscara com os moldes do rosto do partecipante, personalizando-a e deixando-a bem certinha. Não é show?

Estando em Venezia e sendo Carnevale, compro uma assim que desembarco, então, feliz e contente , vejo-me com minha máscara saracoteando pelas ruazinhas estreitas da Serenissima. Fico me achando “a” incógnita, como se estar sem máscara me deixasse menos anônima e fizesse as pessoas dizerem: “Gente! Aquela não é a Stella Rivello?”. Ok, leitores, eu divirto vocês, non è vero?

Rafaella hipnotizada pelas máscaras.

O cintinho lilás

Não bastasse o torturante padrão de beleza que enfrentamos todos os dias com a mídia, tenho a proeza de ter minha personal torturante: Rafaella. É incrível! Quando ela me olha meio de lado e franze os olhinhos com expressão de reprovação, sei que ouvirei um:

– Mamãe, teu cabelo está esgadanhado.

– Por que abaixo dos seus olhos é mais escuro, mamãe?

– Você vai me levar ao colégio “assim”, mãe? (Acho que aqui rola um misto de desespero e esperança)

Tadinha, não faz por mal! Tanto que se eu esboço uma mínima expressão triste, ela me enche de beijos e pede desculpas. No fim nós duas morremos de rir com essas (im)pertinentes indagações. Só que de bobas as crianças não têm nada e, percebendo que “causa” toda vez que solta uma pergunta dessas, Rafaella agora inventou que é minha personal diet (ok, provavelmente este termo nem existe). Mas enfim, todo dia ela fica só olhando para saber se eu estou em forma, se estou comendo legumes, verduras e tudo mais (até porque eu exijo dela isso diariamente).

Eu invento que para os cabelos ficarem sedosos, é preciso muita cenoura e que para os cílios ficarem parecendo os da Minnie é preciso muito feijão. Na verdade não há nenhuma lógica nisso, não sei qual vitamina é boa para o quê, então invento tudo na hora, conforme a necessidade. Coisa de mãe.

Ocorre que agora Rafaella achou um cintinho lilás meu que aperta a cintura e quase me deixa sem respirar. De fato, o elegeu como seu mais novo brinquedo de atazanar a mamãe! É pior do que aquelas tias monitoras dos vigilantes do peso! Ela chega com o cintinho e ri de gargalhar tentando (sem sucesso) fechá-lo em mim! Como uma criaturinha de 7 anos pode ser tão cruel?! Me sinto a Scarlett O’Hara em uma das cenas de “E o vento levou”, porém sem glamour. No fim, também me divirto, só que quanto mais eu rio, menos o cintinho fecha! E logicamente, para minha tristeza e infinita alegria de minha filha, esse é o momento mais engraçado da brincadeira!

Ma che frrrreddo!

Preciso confessar que sou uma pessoa melhor quando está frio. Meu humor vai às alturas, meu cabelo fica bonito, visualizo-me uma mulher sem problemas.

Não gosto de calor e tenho pesadelos quando escuto expressões como “veranico de maio”. Por mim ficava assim frio o ano inteiro em Florianópolis. Melhor que isso só se nevasse! De fato, fico pedindo a meu marido que me leve na serra para ver neve e ele me responde prontamente: “Mas credo, Stella, bem coisa de brasileiro mesmo, né? Parece até que veio do Agreste! Já te vejo na praça de São Joaquim, dando entrevista para o Jornal do Almoço, dizendo que ficou ali sei lá quantas horas esperando a neve!”. E diante dessas declarações ‘gustavísticas’, a neve perde todo seu glamour.  :(

Bom, já que esperar pela neve na serra mataria meu marido de vergonha, vou curtir o friozinho daqui mesmo. Para não me deprimir, nada como fazer um chocolatinho quente (receita da Nani) e muitos pãezinhos de queijo, afinal de contas meu sangue é mineiro e italiano. Um bom livro para acompanhar e não quero mais nada. Bom friozinho para vocês, leitores.

Se guardi in cielo e fissi una stella, se senti dei brividi sotto la pelle, non coprirti, non cercare calore, non è freddo ma è solo amore.