Fiat lux!

Ontem à noite eu estava estudando quando de repente ouvi um estrondo e então imediatamente a luz acabou. Fiquei daquele jeito, atônita, sentadinha em frente ao computador. Após dois minutos de xingamentos mentais, resolvi que não era o fim de mundo e iria fazer alguma outra coisa.

Mas o quê? Ver televisão não podia ser, preparar algo calórico para comer tampouco, já que estava sem microondas, forno e fogão e meu estoque de porcaritos havia acabado. Dormir, eu não tinha paciência. Depois me deu um estalo e pensei “Vou ler!”. Mas como? Estava tudo escuro e eu não tinha nem fósforo em casa. Mas não desisti. Fui tateando tudo até chegar em uma vela da Santa Paulina que comprara em Nova Trento ano passado. À luz do celular vasculhei os armários da cozinha até descobrir uma caixa de fósforo esquecida. Abri e havia um solitário palitinho crying for help.

Acendi a vela e fiquei pensando na pizza de bacon que antes de o computador apagar fora mencionada por meu amigo Eliseu no Facebook. Ele queixara-se que sua empregada adorava comer as pizzas que ele deixava na geladeira , não sobrando nada para ele. Fiquei morrendo de pena da pobre diarista, e de pensar nisso me veio o desejo de pizza. Precisava de uma.

Liguei para o meu marido e ele trouxe a minha pizza, bem fofo! Sentamos e jantamos à luz de velas, como não me lembro de ter feito há muito tempo. Eu adorei, mas confesso que se a luz não voltasse em pouco tempo, de romântica passaria à mulher mais intratável do mundo. Contudo, pouco depois Fiat lux! a energia voltou, para a sorte do Gustavo.

Antes disto fiquei jogando xadrez com minha filha. Sim, o tal xadrez do Harry Potter. Mania da vez da Rafaella, tão divertido e cheio de detalhes que fica para outro post.
Agora vou almoçar que quinta-feira é dia da Família aqui em casa e dia internacional do abandono à dieta. Um beijo, amados.

Raffy Potter

Conhecem? Sim, Rafaella, minha filhinha de 7 anos finalmente descobriu o mundo de Harry Potter. E sim, está deixando todo mundo louco com isso. Confiram:

– Assistiu ao primeiro filme da saga quatorze vezes (nós contamos).

– De uma hora para outra começou a viver em seu mundinho paralelo, informando aos quatro ventos que seu nome agora é Hermione Granger Potter Weasley.

– Fez meu marido sair de casa no meio da chuva para arranjar um pedaço de galho no jardim que servisse de varinha mágica. Não, não podia ser nenhuma daquelas de princesa que ela tem, tinha que ser rústica.

– Pegou uma pedra ametista decorativa da casa de minha mãe e anda com ela embrulhada por aí dizendo que é a pedra filosofal. (Seguido por um “Mamãe, o que é “filosofal”?)

– Não quer mais pentear os cabelos para ficar parecida com a Hermione. O mais engraçado é que ela já é bem parecidinha. Mas ir para aula com cabelo caindo no olho, nunca!

– Está até colecionando o jogo de xadrez do Harry Potter que chega toda semana às bancas. Eu disse que compraria as pecinhas, mas que ela aprendesse a jogar. Minha sogra já se encarregou da missão.

– Pega na biblioteca do colégio os livros que tem trocentas páginas e ela nunca vai conseguir lê-los no segundo ano do ensino fundamental, porém mesmo lendo só algumas páginas, já me deixa feliz. Interesse pela leitura é algo tão raro nas crianças de hoje, que eu apoio.

– Na hora de sair a escolha pelas roupas tem como referência os uniformes da escola de Hogwarts.

Mas o ápice desta semana foi termos pausado o filme na hora em que Harry Potter mostra a cicatriz na testa e eu fazer uma igualzinha nela. Viva o lápis labial à prova d’água da Natura! Ela foi para o colégio com aquilo e foi o ó do borogodó! CAU-SOU!

Sempre achei o filme meio chatinho, mas agora, como mãe, acho saudável que ela se interesse. No fim das contas vai aprender xadrez! Mas falando sério, que bom é poder ser criança, brincar, ser livre e sonhar, não?

“Mamãe, eu sei que eu não posso mentir, mas se uma criança me perguntar no parquinho qual é o meu nome…posso dizer que é Rafaella Potter?”

Ma quale tarantella…

Todo mundo sabe que eu moro no morro e das minhas lamúrias por não entregarem pizza na minha casa e etc…Ok, não serei repetitiva e prometi a mim mesma que não vou mais reclamar por coisas pequenas, porém sou obrigada a compartilhar com vocês  um pouco do meu dia a dia aqui no morro da malária.

Como sou tradutora autônoma, exerço minha atividade em casa, bem feliz, até de pijamas (superei aquela fase de me arrumar toda para ter a sensação de trabalhar em uma multi-nacional), às vezes de crocs e sem maquiagem. Até aí nenhum perhaps, e então começo a traduzir, entrando em uma espécie de transe que me insere na trama do livro e me prende lá até eu decidir parar o trabalho.

Minha tradução atual me leva ao sul da Itália, primavera de 1861, acontecimentos curiosos.Vejo-me apreciando e vivenciando os detalhes daquela agradável narrativa, quando de repente os velhinhos da praça, as crianças e as mammas começam a dançar um…um…funk???? E assim, trabalhando a paciência e tomando um paracetamol, volto para a realidade elegendo como mais novo sonho de consumo uma bomba um daqueles protetores auriculares que os funcionários de aeroporto usam.

Créu Feelings.

Quando acaba?

Amo minha vida, minha família, minhas conquistas, mas…tenho 31 anos! E isso é complicado!

Hoje, no auge do meu stress, perguntei-me sem paciência quando raios essa crise dos 30 iria acabar. Achava que estava no lucro já que a minha começara aos 29. Ledo engano. Olhei em volta e o que eu via nessa manhã de segunda-feira? Uma casa bagunçada, vários livros para ler, uma partitura da música do filme Crepúsculo que eu ainda não comecei a tocar, uma esteira ergométrica me olhando com saudades, o edital de um concurso no Nordeste…ai, quanta coisa! E eu nem li todos os blogs que eu queria hoje!

Gostaria de saber por que coisinhas tão insignificantes ainda me incomodam, afinal de contas sou uma mulher de 31 anos, não deveriam mais me irritar. Não era para eu ser super bem resolvida? Não é isso que se espera das balzaquianas? Li uma reportagem que dizia que aos 31 anos a mulher alcança o máximo de sua beleza (oi?). E vou te contar um segredinho: as mulheres de 30 são todas independentes! Não é legal?

Quero um sistema de cotas para eu entrar nesse samba do crioulo doido também.   :/

Wuthering Heights

Semana passada estava jantando e assistindo no canal de músicas VH1 (amo) um programa sobre os 60 clips que retratavam os penteados mais horrorosos. Sim, queridos, era este o critério do ranking. Pois bem, lá pelas tantas apareceu o clip da Kate Bush com a música Wuthering Heights, que eu tanto ouvira nos anos 80, mas nunca havia pensado em quem cantava, nem no que se dizia. Enfim, a mulher é bem estranha, mas gostei dela. Percebi que realmente adoro essas coisas diferentes.

Mais tarde fui para o youtube (alguma dúvida?) assistir a bizarrice novamente e deparei-me com a letra da música (ainda bem que tinha, pois meu inglês não é tão bom a ponto de decifrar tudo naquela voz e ritmo peculiares). O fato é que a letra remete ao livro da Emily Brontë O Morro dos Ventos Uivantes. Aí sim liguei uma coisa à outra. Lembro-me bem deste título na minha infância porque minha amiga Helena morava em uma casa linda escondida no alto do morro e toda vez que minha mãe (que de Literatura sabe tudo) me levava lá, dizia estar me levando ao tal morro. E eu que, na época, achava super demais aquele codinome “inventado” pela minha mãe.

Enfim, pesquisei sobre esse romance e fiquei intrigada. Já fiquei imaginando o cruel Heathcliff, a Catherine, o povo todo. A crítica pegou pesado na época, mas hoje o livro é considerado um clássico. Quis pegar na biblioteca do colégio de minha filha, mas não tinha. Vou recorrer à UFSC ou à estante de minha mãe! Na verdade, com a quantidade de livros que estou tendo que ler, acho que vai ficar para depois, purtroppo. Mas deixo vocês com Wuthering Heights. Aposto que já  a ouviram em algum lugar do passado. Ah! e caso não consigam tirar a música da cabeça, como aconteceu comigo por 4 dias, aconselho escutarem Bohemian Rhapsody, do Queen algumas vezes. Resolve.

Petrarca nosso de cada dia

Hoje posto um soneto do Canzoniere, obra de Francesco Petrarca. Escolhi um da parte In vita di Madonna Laura, onde o poeta fala de seus sentimentos pela amada. Um dos aspectos que eu mais gosto no Canzoniere é que diferentemente do então contemporâneo Dante Alighieri, Petrarca expõe seu amor pela musa de maneira menos divina e mais humana. Lá vai então um pouquinho de Petrarca para deixar mais romântica essa chuvosa segunda-feira:

Pace non trovo, et non ò da far guerra;
e temo, et spero; et ardo, et son un ghiaccio;
et volo sopra ’l cielo, et giaccio in terra;
et nulla stringo, et tutto ’l mondo abbraccio.

Tal m’à in pregion, che non m’apre né serra,
né per suo mi riten né scioglie il laccio;
et non m’ancide Amore, et non mi sferra,
né mi vuol vivo, né mi trae d’impaccio.

Veggio senza occhi, et non ò lingua et grido;
10et bramo di perir, et cheggio aita;
et ò in odio me stesso, et amo altrui.

Pascomi di dolor, piangendo rido;
egualmente mi spiace morte et vita:
in questo stato son, donna, per voi.

Ai! que lindooooo! Estou muito romântica hoje. Saco.

Outra vez o “meu dia”

Adoro arranjar datas para ganhar presentes do marido. Tenho vários “meus dias”: dia das mães, dia do estudante, do professor, do corretor de imóveis, dia da mulher, dos namorados, de aniversário de casamento. Aí escancaro com dia de início da primavera (esse inventei ainda nos tempos de namoro e é infalível #dica), dia de quando descobri que estava grávida, etc…

Hoje é dia do tradutor! :) Vou sair, comprar uma sandália bem linda, mandar embrulhar para presente e quando o Gu chegar em casa vai ser o mesmo teatrinho. Eu lhe entrego o pacote, ele finge que comprou e me dá de presente. Eu finjo surpresa, me emociono, agradeço e digo que ele é o melhor marido do mundo! Homem não sabe comprar, então eu compro, ele paga e fica todo mundo feliz!

Bom, mas para comemorar a data de hoje, lá vai um videozinho sobre Tradução:

Sem essa de Traduttore-Traditore

Ontem e hoje participei de uma oficina sobre tradução simultânea na UFSC. O Professor relatou intempéries que o tradutor passa durante seu trabalho e me identifiquei com quase tudo!! Por mais preparo que se tenha, acontecerá sempre alguma coisa no meio da conferência que o deixará numa saia-justa.

O caso mais clássico, é claro, é do participante que, por conhecer ambas as línguas, quer se meter na apresentação, interrompendo, com muita má educação, a interpretação. Quando se aprende uma língua estrangeira, é preciso ler, escrever, entender e falar bem essa língua. Traduzir e interpretar são outras competências, adquiridas geralmente depois, e com muito estudo e prática.

Outro caso é quando devemos traduzir um palavrão, uma piada sem graça, ou com termos de baixo calão. O Professor exemplificou dizendo que certa vez um político brasileiro havia bebido todas e resolveu contar ao grupo de alemães uma piada de péssimo gosto com repertório chulíssimo. Nesta ocasião, até por respeito às mulheres presentes, o Prof/Intérprete pediu aos alemães: “simplesmente riam como se tivessem ouvido a coisa mais engraçada do mundo!!”.  :D

Mas enfim, resolvi escrever este post porque preciso falar que sou a personal translator de minha filhinha. Sim, a folgadinha da estrela me faz ler historinhas para ela dormir todo santo dia. Só que os livros são, em sua maioria, italianos (pq os em português ela já leu) e eu tenho que fazer a tradução simultânea. Ao contrário dos profissionais da área, não fico escondidinha em uma cabine, mas tenho que interpretar tudo na velocidade da luz, fazendo carinho, cuidando da entonação de voz, diversificando-a a cada personagem novo que aparece.

Da próxima vez que me chamarem para fazer interpretação em algum evento, já sei quem vai me ajudar a treinar! Vou inventar historinhas de criança com termos econômicos, ambientais, comerciais, náuticos e tudo mais que for preciso!

Casa no Sambaqui

Hoje estou relembrando os meus tempos de corretora de imóveis trazendo à vocês um lugar muito especial para mim: a casa no Sambaqui. Lá eu e minha família passamos muitos momentos felizes e é exatamente isso que desejo à quem adquirir esse pedacinho de sonho aqui na ilha.

Para conferir mais sobre o imóvel, basta acessar: www.casanosambaqui.com.br

casa no sambaqui

Minha malhação

Leitores, pasmem! A blogueira resolveu que precisa fazer atividade física. E foi além, fez!!!

Tudo bem que comecei ontem, mas precisei registrar aqui esse ato tão corajoso. Contudo, não pensem que me matriculei numa academia ou coisa parecida. Tenho horror daquelas menininhas todas saradas com barriga colada nas costas, pavor dos funcionários dizendo “Não veio ontem, né?” e morro de vergonha de passar na frente dos guris da musculação. Fora isso ainda tenho pesadelos com instrutores que correm atrás da gente segurando aquele medidor de gordura.

Talvez tanta fobia venha do fato de que passei mal uma vez enquanto fazia aula de bike indoor. Me pegaram no colo, me levaram para a lanchonete e me deram comida. A idiota não havia tomado café da manhã. Mas naquele 1 minuto de tempo, lembro-me bem da expressão de “looooser” que todos fizeram, hahahah. É, definitivamente acho que vem daí minha fobia.

Então ontem fui até a casa de minha irmã e seqüestrei uma bicicleta ergométrica. Toda feliz, disse à mim mesma que faria meia horinha por dia de exercício. Não riam! Para mim já é um sufoco.
Pedi para meu marido controlar o tempo e lá fui eu!
Um pouco depois, exausta:

– Gu…por favor me diz que já se passaram uns 20 minutos…

– Se para ti 7 minutos são 20…   :/