Vai um Dostoiévsky aí?

A revista “Vida simples” deste mês traz uma matéria muito interessante sobre por que ler os clássicos. Gostei bastante do texto porque consegue de uma forma clara desmistificar aquela história de que só os eruditos podem aproximar-se de um Shakespeare, um Dante ou um Proust. Como bem ilustra a matéria, estas obras, hoje clássicos, foram escritas por seus autores para serem lidas e não temidas.

Eu acho que o importante é começar. Depois que se descobre que não só de auto-ajuda vive o leitor, conhece-se outro mundo! Não briguem comigo, sei da importância da auto-ajuda, mas por pouco não protagonizo “um dia de fúria” quando entro nas livrarias e deparo-me SEMPRE com aquelas montanhas de livros de auto-ajuda, como se não existisse mais nada além disso!! Fecho os olhos por um instante e visualizo que maravilha se pudesse chutar tudo como fazem os estudantes de cálculo nos cursos de engenharia. Pois é, Stella controla seu instinto porque é civilizada, mas nunca consegue deixar de imaginar esta cômica cena, quase um prêmio de consolação.

Mas voltando às obras clássicas, gostaria de dizer que estou tomando coragem para ler os clássicos russos. Como em italiano sempre li em língua original, tenho o maior medo de pegar uma tradução ruim dos russos ou alemães, mas tenho que relaxar, senão não leio mais nada! Lembro que no meu mestrado era normal lermos muitos livros de uma só vez, analisar, falar sobre eles em seminários (junto com os alunos do doutorado #medo) e ainda elaborar artigos. Ok, a Pós faz as pessoas surtarem, mas também as prepara para qualquer coisa! Sou infinitamente grata.

Mas leitor, não se preocupe, pois ler um clássico é mais simples do que parece. O primeiro passo é ter vontade e tranquilidade. Quando se evita a literatura canônica, perde-se o que de mais agradável ela tem a oferecer. Como diz o texto de Bruno Moreschi “Quem teme ou apenas usa os livros clássicos como grife intelectual tenta se proteger. Ao evitar suas páginas, ficam livres de uma experiência que quase sempre questiona nossas certezas e sugere um mundo mais complexo. Trata-se de uma proteção mais revestida do mais ignorante dos medos: aquele alimentado por idéias ditas pelos outros, não por uma experiência individual de leitura”.

6 Comments

  1. Heloisa
    Posted 17/08/10 at 3:38 am | Permalink | Responder

    APOIADO!!! Adoro clássicos! Mais defendo a auto ajuda, eu gosto, e se vende bem deve ter lá a sua função social, ou será que a sociedade caótica criou a auto ajuda? Vou dar pitáco nas tuas escolhas, não sei por onde estais pensando em começar, mais eu comecei por “Les Miserábiles” do Victor Hugo, LINDOOOO. Só não faz a burrada de assistir o filme depois de ler o livro, pois você vai ficar muito P.
    Vou confessar que só decidi começar depois de que primeiro me apaixonei pelos livro do Machado de Assis. Eu ainda trabalhava na livraria e na falta do que fazer, lia os livros para didáticos do segundo grau. E depois de ter ouvido milhões de colegas falando mal de “Memórias póstumas de Brás Cubas”, eu adorei a história do morto revendo sua própria vida de maneira sarcástica de dentro do caixão. Me lembro que decidi ler, quando li a dedicatória, se não me engano o Machado de Assis dedicou aos vermes que iriam comer o seu próprio cadáver. De tão sombrio, chamou minha atenção.
    “Guerra e Paz”, eu amo, mais tive que ler quando comecei a faculdade, não foi bem uma opção. “O Princípe”, você já deve ter lido. Vai a minha listinha de favoritos: “Crime e castigo” e “O idiota” acho que é do mesmo autor, nunca lembro o nome dos autores, que feio né? “Admirável Mundo Novo” é muito doido, futurista, hoje morando nos EUA, fico me perguntando se as vezes não é o que os americanos tentam fazer… pura viagem. NAO PODE FALTAR: “Dom Quixote”, e “Os Tres Mosqueteiros”. Agora esqueci se são os dois espanhois ou se um é espanhol e o outro francês.

  2. Heloisa
    Posted 17/08/10 at 3:47 am | Permalink | Responder

    Esqueci, meu objetivo agora é ler Jane Austen em inglês. Será que consigo? Aliás Jane Austen é Classico ou eu tô viajando? No mundo dos Americanos é! Você sabe que Literatura Italiana no mundo dos americanos nem existe, né? HEHHHEHE

    • stellarivello
      Posted 18/08/10 at 3:44 pm | Permalink

      É classico sim! Mas leia sem ver os filmes baseados na obra. Sempre que eu faço isso, me arrependo porque depois, pois não consigo me desprender das imagens já captadas!

  3. stellarivello
    Posted 18/08/10 at 2:49 pm | Permalink | Responder

    Pois é, literatura italiana inexiste por aí, não é? Pois eles não sabem o que perdem. Em compensação, por aqui temos muita auto-ajuda americana! Mas de todas, só uns 20% deve ajudar realmente!! :)

    Estou sem saber o que ler do Tio Dosto. Tenho a péssima mania de querer analisar a obra antes mesmo de lê-la. Fiquei um tempão pesquisando qual obra dele ler e me estressei à toa. Isso é tão relativo! Depende de tanta coisa…vou pegar o primeiro que tiver uma boa tradução direta do russo e curtir!!

    • Heloisa
      Posted 18/08/10 at 3:34 pm | Permalink

      Você não sabe que, para os americanos, os outros povos do mundo nem sequer escrevem? hahahhahaha

  4. Heloisa
    Posted 18/08/10 at 11:12 pm | Permalink | Responder

    Do Dostoiévsky lê “O Idiota”, Acho que é dele, e acho que ele escreveu este livro em Florença.
    Beijos

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