Pagodeando o impagodeável

Às vezes damos um tempo de Brusque e voltamos para a nossa casinha em Floripa. Ficou acordado entre mim e meu marido que voltaríamos sempre aos sábados pela manhã, pois sexta a noite aqui no morro sempre rola um pagode e vocês já conhecem a minha relação com tal gênero musical.

Pois bem, ontem esquecemos esse detalhe e viemos felizes e empolgados para a ilha. Já subindo o morro nos demos conta da cilada, porém não dava mais para voltar, então respiramos fundo, pensamos em pôneis voadores, arco-íris e cascatas para nos convencermos de que estava tudo bem. Na realidade só eu pensei isso, o Gu pensou simplesmente “%u#a que o pariu, que m&rd*!”.

Lá pelas tantas imaginei que o repertório ia acabar, né? Mas não, vã ilusão…nunca acaba, nunca! E o que mais me admira é que ninguém enjoa. Não é que eu ache a música tããão ruim, é que simplesmente surto na terceira música. O pior é que fazendo uma breve cronologia dos fatos, o pagode sempre me acompanhou, desde minha gravidez, até a elaboração da dissertação de mestrado, até os estudos para concurso, os artigos do doutorado…fiel amigo (só que ao contrário, né?).

O ponto alto da noite foi quando começaram a tocar músicas internacionais pagodeadas! Tipo Sting, U2! Conseguem imaginar “Sunday bloody sunday” pagodeado? Pois existe! Lá pelas tantas, não acreditei: “Staying alive” pagodeado. O refrão era algo como: “Ah, ah, ah, ah! Padapadagá! Padapadagá!”

Muito além de “padapadagá”, é “pacabá” mesmo!

Sinto-me ultrajada

Acredito que pessoas esclarecidas não precisam, necessariamente, viver determinada situação para entendê-la.

Hoje de manhã levei minha filha para conhecer o acampamento dos professores em frente à assembleia porque para mim uma conversa com um acampado que não se rende e luta pelos seus direitos e pela valorização da sociedade tem muito mais a acrescentar na formação dela do que uma conversa com um representante do povo, que diz que é um absurdo pagar a quem não trabalhou com o dinheiro do contribuinte, mas que não considera um absurdo usar esse dinheiro para veicular nota de esclarecimento (tendenciosa) na TV. Ela ficou impressionada, mas valeu. É a verdade, não é fala mansa na mídia. E desde pequena ela sabe o valor da educação e da luta.

É fácil acusar o outro de radical quando no fim do dia a gente volta pra casa, dorme em uma cama quentinha, tem alimentação e lazer garantidos e o outro, o radical, não tem nem o que pôr na mesa e dorme no frio.

Seria interessante então que as pessoas pelo menos tentassem se colocar no lugar do professor.

Você, que está lendo esse comentário agora, imagine a seguinte situação hipotética: se você estivesse trabalhando já há anos sem receber o mínimo estipulado por lei, aguentando um trabalho que não é fácil, que requer do físico e do intelecto. Se finalmente uma lei obrigasse a te pagarem o mínimo e o teu “patrão” dissesse:

“Muito bem, você vai ter um aumento (mentira, é o mínimo estabelecido por lei), mas é o seguinte: vou te tirar teu vale transporte, teu vale alimentação, a creche dos teus filhos pequenos, e a tua gratificação por ter feito uma especialização/mestrado/doutorado. Aquele serviço extra que você faz todo mês e ganha 40, eu vou passar pra 25, mas não se preocupe, voltarei aos 40, parcelando. Acredite em mim.”

Ao fazer as contas, você percebe que o “aumento” que o patrão te deu foi feito a partir do dinheiro que ele economizou tirando o que você já tinha antes.

O que você faria? Ia por um acaso pensar “Ah, nossa, que legal, quanta coisa eu conquistei!”

Não, não é mesmo? E sabe por que você não pensaria isso? Porque ninguém em sã consciência acharia isso vantagem.

Enquanto isso, em um jantar com amigos, seu lindo ‘patrão’ diz: “Aquele folgado…acha que pode me deixar na mão? Quero ver se ele vai continuar assim revoltado quando eu cortar (mesmo que a lei proíba) o salário dele. Vai voltar que nem um rato! Enquanto isso, farei um terrorismo dizendo que vou chamar outro pra fazer o que ele faz. Vai ter que aceitar e é minha proposta (indecente) final! Afinal de contas economizei quase um bilhão, mas sabe…não acho que vale à pena pagá-lo…”

Isso para você é dialogar?

Então, amigos leitores, sei que não dá para comparar exatamente como gostaria, mas coloquem-se no lugar do professor. Por que vocês acham que ele deve voltar sendo humilhado desta forma, sem ter seus anos de estudo valorizados?

Professor exerce uma profissão importantíssima e básica, tem que ser remunerado. Por que professor não pode ter carro? Viajar? Por que professor tem que ser voluntário? Para isso existe o “Amigos da escola”.

E não pensem que os professores não pensam nos alunos, porque se não pensassem, não estariam aguentando desde 2008.

Por que vocês acham que há pessoas que são professores? Com certeza, não é pelo salário, mas porque amam o que fazem, seus alunos, sua escola e sua comunidade, então, por favor, parem de falar que professor não pensa no aluno.

E mais, acho quem não valoriza o professor, não pode valorizar a Educação. Simples assim.

Viva a sutileza

Adoro dia dos namorados.

Sou como criança pequena que acha que pode fazer o que quer no seu dia: comer 3 pacotinhos de Elma Chips, sucrilhos sem leite, ficar acordada até tarde, fazer tranças e dizer que vai morar numa comunidade hippie (ah, não, isso foi na adolescência).

Enfim, curto muito datas especiais, mesmo que não faça nada de extraordinário. Hoje, por exemplo, acordei com uma caixa de Lindor Extra Dark, que eu amo de paixão. Fiquei toda feliz pensando em como tenho sorte de ter um marido que me presenteia com chocolates mesmo eu tendo engordado uns quilinhos. Então, ele carinhosamente diz: “E não é só isso, amor, tem mais”. Lisonjeava-me em pensamento: “Se isso é estar na pior…”

E eis que veio o segundo e fatídico presente: um tênis de corrida.

Sem mais para o momento.

Curtindo Raul

Tudo o que eu me estresso com a Blockbuster online, eu curto com a Blockbuster loja física. Os filmes que eu peço pela internet, às vezes chegam, às vezes não. Daí eles dizem que o motoboy veio e eu não estava, então mando e-mail reclamando…enfim,  uma novela mexicana.

As coisas mudam quando eu resolvo levantar my fat ass da cadeira, pegar o carro e ir até a loja escolher algum filme. Tenho ido bastante, pois prometi à minha filha que se ela passasse de fase no Kumom, poderia alugar os filminhos que quisesse. Além disso, a danadinha fez a carteirinha da “Turma do sofá” que deixa pegar filmes todo mês de graça e ainda ganha brinde. Já fez a cabeça da melhor amiga e agora as duas são sócias.

Pois bem, lá elas fazem uma bagunça danada, correm por aquelas gôndolas e a festa está iniciada. Enquanto quase destroem a loja, eu me distraio com aquelas milhares de parafernálias expostas. Sempre saio de lá com coisas que eu nem queria comprar, mas acabo levando porque é muito sem graça chegar em casa só com o DVD! Antigamente havia um Subway ali do lado e eu sempre levava dois daqueles grandes, calóricos e maravilhosos sanduíches.

Bom, na falta dos sanduiches, tenho que me contentar com o que a Blockbuster oferece, assim a sacolinha volta com muitos polenghinhos, Häagen Dazs de chocolate belga, balinhas gelatinosas de ursinhos e mais alguma coisa que encontro em volta do caixa quando estou pagando. Da última vez vi uma cestinha com um solitário CD dentro. Claro que não resisti e fui ver do que se tratava: “Raul Seixas, maiores sucessos”. Bah! Não pensei duas vezes, e o melhor de tudo? Custou R$1,99.

Saí dali alegre e saltitante. Coloquei o CD no som do carro, até que… “Mamãe!! Esse é aquele tio que canta Plunct, plact zum!” E assim, escutei seis vezes seguidas a famigerada musiquinha com a Rafaella vibrando de felicidade até chegarmos em casa.  #fail

Gata veneziana

Hoje foi o bailinho de carnaval de Rafaella no colégio. Todas as crianças deveriam ir fantasiadas e eu jurava que milha filhota iria escolher a fantasia da Hermione Granger e se juntar com a turminha do Harry Potter da sala dela (sim, cada um é um personagem, muito engraçado). Ao invés disso, disse-me: “Mamãe, quero ir com uma fantasia diferente…algo que as pessoas tenham que me perguntar de que estou vestida”.

Claro que de nada adiantou levá-la naquelas lojas infernais do centro da cidade para escolher alguma coisa. Dizia enfática” Essa dá para ver que é baianinha, essa que é espanhola, essa que é Minnie, essa que é branca de neve…”. A única coisa cômica foi ver alguns homens comprando acessórios de mulher para o bloco de sujos. Rafaella então lamentou-se que seu pai nunca quisera, nem sob muita súplica nossa, sair em um bloco destes. Uma pena, pois seria muito divertido para nós vesti-lo e maquiá-lo.

Em casa, olhando para minha estante de livros, a danadinha mirou em uma máscara que trouxera de Veneza e exclamou segura que queria ir fantasiada de gata veneziana. E com minha máscara da qual tenho ciúmes, logicamente. Hesitei por uns minutos e depois pensei que correr o risco de ver minha máscara amassada, suja, engordurada de cheetos ou o que fosse era muito melhor do que ter que voltar em alguma daquelas lojinhas lotadas do centro, cujo som ambiente insiste em te acompanhar por dias e dias.

No final das contas pegamos duas saias minhas e costuramos uma em cima da outra, depois unimos uma cauda às duas. Colocamos um arquinho de orelhas de gata que ela já tinha e depois a famigerada máscara. Nos cabelos muito gel extra forte do Gu (ele vai me matar) e glitter dourado e prata (que eu usara antes para confeccionar as varinhas de Harry Potter). Como colar foi usado um cinto meu e adereços da árvore de Natal. Falando assim, parece o samba do crioulo doido, mas como resultado até que obtivemos uma composição elegante e diferente.

 

Máfia Extraordinária

Nos últimos dias todos estão comentando sobre o documentário “Lixo extraordinário’, então lembrei-me do caos que ficou Napoli em 2008 e de como foi difícil controlar aquela situação. Passavam-se os dias e os moradores não falavam sobre o assunto, era difícil obter algum depoimento, todos receosos…mas receosos de que exatamente?

Na entrevista que vocês conferem clicando aqui, o jornalista Roberto Saviano, autor do livro Gomorra, explica como a máfia italiana age, do que é capaz, deixando o governo “sem ação” e uma população à mercê da vaidade daqueles cuja sede por poder e dinheiro extrapola quaisquer limites.

Vale lembrar que a máfia tem várias organizações, sendo principais a Camorra (Napoli), a Sacra Corona Unita (acho esse nome o suprassumo, máfia da Puglia), a Cosa Nostra (Sicilia) e a ‘Ndrangheta (Calábria). Saviano discorre justamente sobre a mais violenta delas, a Camorra, onde infiltrou-se para desvelar e desmistificar este mundo e desde então viu-se jurado de morte. Gostei bastante da entrevista, que foi concedida a Ilse Scamparini e exibida no programa Milênio da Globonews. Está em italiano, porém legendada em português.

Não pode ser normal

Só eu fiquei indignada ou alguém mais notou o absurdo que é a nova propaganda da Caixa Econômica? Uma campanha que tem o despautério de chamar-se “comece o ano bem”.

Aparece a Regina Casé, que para a maioria do povo brasileiro é uma pessoa crível, e diz algo como: “ah, temos tantas coisas para pagar, não é? Pois é, início de ano é assim mesmo, então pegue um empréstimo na Caixa e resolva os seus problemas, mas pegue um pouquinho mais para poder curtir o carnavaaaal!” (oi?)

Isso devia ser proibido!!! Tudo bem pedir um empréstimo, pois às vezes é a única forma de organizar as contas, porém essa de Carnaval é uma vergonha! A pessoa já está com dívidas, vai pegar um empréstimo, e por que não se endividar mais um pouquinho, não é mesmo? E ainda mais por uma causa tão “nobre”!!!

Sooooo mad today!

Fim da caminhada

Ok, preciso confessar que minha determinação em caminhar de uma a duas horas por dia foi recompensada com uma ida ao pronto-socorro ortopédico porque a esportista aqui fez tudo errado: caminhou sem tênis, com areia em declive, sem fazer alongamento direito e por aí vai…

Quando o médico perguntou o que eu achava que poderia ter sido a causa de meus lindos tornozelinhos estarem machucados e lhe relatei como era de fato a minha “caminhada”, pude conferir em seu semblante aquela clássica expressão que diz: “Mas tu és tosca mesmo, né?”

Só sei que quando era sedentária, essas coisas não me aconteciam! :D

Alguma coisa está fora da ordem

Sabe aquela coisa de teoria da conspiração, mania de perseguição e afins? Não suporto. Tenho verdadeira aversão por muros pichados com dizeres incoerentes sobre bases de Guantánamo, George Bush, Che Guevara…

Enfim, digo isto porque semana passada procurei na internet algo sobre a nova ordem mundial. Sim, em termos econômicos, porém o que achei foi um material enorme sobre os templários, gli illuminati, a maçonaria…tudo junto no mesmo balaio, e o pior: tudo com o nome de nova ordem mundial!

Fiquei pensando em como a internet é repleta de besteirol e carece de conteúdo mais certificado, mais importante, mais útil. Mas a minha pior lembrança de tudo isso foi quando eu procurei no Google sobre a fruta jaca e apareceram centenas de fotos da mulher jaca. :/

Run, Stella, run!

Rum? Não gosto! Bebidinha infame! Devia chamar-se “ruim”!
Não, Stella! Run! Corra! Comece 2011 menos molenga!

Todo mundo sabe que eu amo #not o verão, mas decidi que iria me esforçar em 2011 por amor a meu marido e minha filha, que adoram. Pois bem, e não é que estou gostando? Não estou amando (esse sentimento é reservado para o outono e atinge seu ápice quando chega o inverno), porém posso dizer que tenho me divertido bastante.

Esses dias na casa da Cachoeira têm sido revigorantes. Eu, que de caminhada passava longe, tornei-me adepta do exercício. Estou até correndo! (ok, na maioria das vezes atrás da Rafaella, que me dá uma canseira danada). Clássicas promessas de ano novo…contudo, se levarmos em consideração que hoje é dia 4 e eu ainda não cansei de brincar disto, acho que é uma atividade que pode ter algum futuro. Biquini, protetor solar, cabelos amarrados, óculos escuros, ipod e pronto.

Na praia eu caminho e escuto aquelas músicas que só eu gosto. Às vezes me empolgo e quando vejo já estou balançando os ombros curtindo sozinha minha seleção musical. Quase nunca percebo, é mais fácil quando alguém me olha estranho, então, recomponho-me. Tenho que controlar mais esse instinto de começar a dançar do nada…vai para a listinha de resoluções para este ano.

No mais, os únicos contrangimentos matinais que presencio, não me têm como protagonista (meno male). Resumem-se a erros de concordância nas placas que leio pelo caminho e que me assustam a ponto de quase me fazer tropeçar na areia e cair em cima de uma pobre criança que brinca às margens do mar. :)